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Notícias Gerais

ENTREVISTA - Instituto Federal divulga aprovado para intercâmbio

Publicado em Terça, 06 de Novembro de 2018, 12h01 | por Pirituba | Voltar à página anterior

Eduardo Martins de Azevedo Vilalon, aluno do IFSP, reflete em entrevista sobre o semestre que passará na Europa

 

Rafael Tenório* - 5.nov.2018 às 13h00

 

SÃO PAULO -  O Instituto Federal de São Paulo – Câmpus Pirituba anuncia, nesta segunda-feira (5), o estudante Eduardo Martins de Azevedo Vilalon como aprovado para o Programa de Mobilidade Estudantil Internacional – Instituto Politécnico de Bragança (IPB), em Portugal.

 

O Programa de Mobilidade Estudantil Internacional tem como principal objetivo permitir a realização de estudos, cursos e atividades de ensino, pesquisa e extensão no exterior, além de proporcionar ao estudante o conhecimento de outras realidades socioculturais e econômicas; o desenvolvimento de competências para atuação profissional em ambiente transnacional e o contato com diferentes métodos, técnicas e processos em sua área de formação.

 

Aluno do 3º semestre de Letras, Eduardo Martins de Azevedo Vilalon é formado em Filosofia, pela Universidade São Judas Tadeu, e em Ciências Sociais, pela Universidade Cruzeiro do Sul, tendo sido bolsista nos dois cursos.

 

Considerando que uma das habilitações do seu curso é em língua portuguesa, estar em Portugal abre várias possibilidades de pesquisa. Como as experiências no Programa podem contribuir com sua iniciação científica?

 

EDUARDO VILALON Até então, a minha pesquisa estava focada em analisar romances juvenis com a temática LGBT independentemente da origem da história, ainda que os livros que tenha escolhido fossem majoritariamente estadunidenses. Agora, sob a orientação da Professora Drª. Vanessa Regina Ferreira da Silva, antes de submetermos o projeto ao término do intercâmbio, mudamos o foco para comparar obras brasileiras, portuguesas, espanholas e de outras nacionalidades que conseguir encontrar. Como dentre as disciplinas que pretendo cursar duas são de Literatura Infanto-Juvenil e uma diz respeito à área de Tradução e Mercado, espero contar com a ajuda dos professores do IPB para localizar romances portugueses e estrangeiros com essa temática e trazer para o Brasil para contribuir para a pesquisa.

 

O intercâmbio representa uma parceria entre o IFSP Pirituba e o Instituto Politécnico de Bragança. O que iniciativas como essa representam para a situação atual das universidades públicas brasileiras?

 

EDUARDO VILALON Infelizmente, essa pode ser uma das últimas experiências de intercâmbio para os estudantes de universidades públicas no Brasil. Imagino que os estudantes que já estão no exterior ou em preparação para a viagem devam estar no mínimo apreensivos em saber se haverá dinheiro para os programas, se vão conseguir finalizar os estudos no tempo previsto sem corte de bolsas… Independentemente dessa situação específica, que todos esperam seja passageira, intercâmbios representam uma grande oportunidade dos estudantes ampliarem os conhecimentos em suas áreas, descobrindo novos autores, novas tecnologias, novas metodologias e ampliar as redes de contatos e de pesquisa. Para as universidades, deve ser um momento importante de estreitar ainda mais os laços com as instituições estrangeiras e tentar o máximo possível continuar com as pesquisas já em andamento.

 

Esta é uma oportunidade teórica e prática de rever vários conhecimentos adquiridos durante o curso. Sendo assim, como um estudante de Letras se beneficia de atividades acadêmicas no exterior?

 

EDUARDO VILALON A própria experiência em si já beneficia o estudante, de qualquer área, ao tirá-lo da sua zona de conforto e obrigá-lo a cuidar de si sem ajuda sempre presente da família e dos amigos. Se bem que com as novas tecnologias de comunicação não estamos assim tão sozinhos… Um estudante de Letras se beneficia primeiramente por entrar em contato com outras línguas. No meu caso, como o inglês é a língua internacional de negócios, os estrangeiros que vier a encontrar, se não falarem português, provavelmente devem falar inglês e farão com que o que já estudei até agora seja colocado em prática no dia a dia. Talvez o maior desafio seja justamente o português por ser a mesma língua e, ao mesmo tempo, não ser por conta das diferenças sintáticas, lexicais e de pronúncia. O contato com as variantes portuguesas da língua deve servir mesmo para tornar mais visível e presente as diferenças das variantes brasileiras, sobretudo a minha, a paulista. Espero que o tempo para me acostumar com a fala dos colegas e professores seja muito breve!

 

Espera-se que os resultados do intercâmbio sejam trazidos para o Brasil. De que forma a experiência adquirida será compartilhada com o Câmpus São Paulo Pirituba?

 

EDUARDO VILALON No meu caso, como estou indo com um objetivo específico, espero me especializar em Literatura Infantil e Juvenil e ter acesso a livros dessa área com a temática LGBT que não chegam ao Brasil. Não nego que seja uma oportunidade de enriquecer a minha biblioteca pessoal e um ganho pessoal morar algum tempo fora do Brasil, mas também é uma chance de desenvolver uma pesquisa que, se existe no Brasil, é pouco conhecida e em número pequeno. A intenção é de que, ao final da pesquisa, ao voltar pro Brasil, ela seja divulgada pelos meios acadêmicos comuns e, se não houver nenhum entrave, que seja disponibilizada em plataformas mais comerciais como Amazon, Kobo e outras. Então, é uma chance de desenvolver uma pesquisa que eu acho bem interessante e de dar visibilidade ao câmpus, atraindo mais alunos e mais recursos, e ao curso de Letras, porque essa bolsa é inédita em alguns aspectos: é a primeira vez que um aluno do câmpus, que tem pouco mais de dois anos de atividades, é contemplado; é a primeira bolsa para um aluno do nosso curso de Letras, cujo Projeto Pedagógico difere dos PP dos outros cursos em outros campi do IFSP; e é a primeira vez que um aluno de Letras, independentemente do câmpus, consegue essa bolsa.

 

Viajar para fora do país realizando atividades educacionais é um objetivo de muitos estudantes brasileiros. Quais são suas dicas para atingir essa meta?

 

EDUARDO VILALON Não parar de estudar, se possível. Por mais que precisemos trabalhar e nos sustentar e que muitas das vezes os estudos sejam uma fase anterior à entrada no mundo do trabalho, uma vez nele é importante continuar estudando sempre que possível não apenas por necessidade profissional mais urgente, para conseguir uma melhor posição na empresa e maior remuneração, mas também para expandir a nossa visão de mundo e notarmos cada vez mais a multiplicidade de conhecimentos e experiências a que podemos ter acesso. A cada curso, o seguinte acaba se tornando mais fácil na medida em que eu já conheço os meus limites e sei quais quero quebrar. Já tenho uma rotina de estudos e sei como adaptar a carga de leitura e trabalhos a ela. Daí que o nível de dificuldade dos textos acaba sendo um fator menor, ou melhor, que a dificuldade de leitura seja transposta com mais facilidade. Eu procuro ser bem organizado, então, quando o edital foi lançado eu já tinha a documentação exigida e apenas preenchi os formulários. Eu estava certo de que não iria conseguir porque deveria concorrer com alunos de todos os campi e tinha desistido de entregar a documentação até uns 3 dias antes do prazo final. De última hora, resolvi desistir da desistência e entregar os documentos para desencargo de consciência, para não ficar pensando “e se eu tivesse entregado a documentação…”. Mesmo assim, eu estava muito mais preparado para não conseguir do que para uma resposta positiva. Pensava que haveria algum erro e que corrigiria o erro para a abertura do próximo edital. Eu só consegui entender que de fato tinha sido um dos escolhidos quando os professores vieram me parabenizar e os colegas ficaram felizes por terem um representante do curso contemplado com a bolsa. Percebi que o fato de eu ter sido o primeiro já despertou em outros alunos a vontade de participar dos próximos editais. Para isso, além da documentação em dia, é preciso ter boas notas porque o critério principal é o I.R.A, o Índice de Rendimento Acadêmico. Então, por mais clichê que seja, a dica é estudar!

 

* Rafael Tenório é jornalista pela Universidade 9 de Julho e aluno do 3º semestre curso de Letras do Câmpus São Paulo Pirituba do IFSP.

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